Ontem eu vi o céu de azul ficar branco. E de branco, ficar lilás. De lilás, eu vi alaranjar. E vi vermelho. Eu juro que vi verde. E vi cinza, e vi marrom, e vi preto, e vi azulão, e fiquei vendo um monte de cor, um monte de céu. Passei o dia vendo o céu e o céu passou o dia me mostrando as cores. Passei a noite também, e dormi com a cabeça virada pra janela. Pro céu me ver e me dar sonhos coloridos.
quarta-feira, 30 de março de 2011
domingo, 13 de março de 2011

me queira de longe, que me basta. uma vez que não te quero perto, o que não é o mesmo que não te querer. me queira de bobeira, que me basta. me queira mal, será bom também. me detenha de alguma forma, me basta o pensamento. não me sufoque nem me ame, que isso é entorpecente e minha vida tá uma caretice só. minha sobriedade transpassou o limite do invisível e é ela que me carrega agora. mas não quero falar disso, quero falar do seu querer. me queira de alguma maneira, me queira longe, me queira com raiva, me queira detestar. eu preciso acreditar que de alguma forma existe um querer, que isso mantém o meu querer vivo. e o meu querer é a minha impulsão de paixão pra qualquer coisa. eu só me movo apaixonada, e pouco importa se a paixão é insustentada ou se só é meio inventada. me deseje viva ou morte, mas seu desejo mantém o meu desejo de mudança ou de andança. eu sou movida pelo desejo, pelo meu desejo do seu.
quarta-feira, 9 de março de 2011

estou de dentro pra fora, desatino a expulsar. de mim, a quem ? sem destinatário.
desandou a sair, a ir, a cair, a espirrar, a expelir, de mim, a quem ? ao ar, à água, a quem quer que seja e passe por mim. sai de mim, vai pra lá. não cabe aqui, cabe em que ? de inchado, comprime e vaza, estoura, esparrama. dos olhos tão cheios, dos pulmões tão cheios, do nariz tão cheio, da pele tão cheia, sai. sem que eu queira, mas sem que eu não queira, eu não opino aqui. estou gripada demais pra continuar.

a cor que queima a cara, qualé a cor que queima a tua cara ?
a cor que me queima nas bochechas e me torra o nariz é o vermelho, que me agride.
ele me manda ir, logo eu que fico na dúvida. ele me empurra, logo eu, que travo. ele me faz sangrar, logo eu... logo eu o que?
eu sempre devo usar uma coisa vermelha, e é por isso que assim faço. pra não me esquecer que minha cara tá fogueada, ou afogueada, que seja.
mas a cor que eu invejo é o azul. quando eu resolver minha questão vermelha, eu pego no ponto azul. mas ele ainda tá bem frio e distante de mim.
um sorriso amarelo pra vocês, e um olhar marrom.
sábado, 12 de fevereiro de 2011

Me extraviei, eu sempre faço isso. Passo a vida atrás de mim, me pego pelos cantos, me encontro nas esquinas, me perco nas encruzilhadas. Me esbarro, me esfolo no tropeção. Me acho e me afago, me aperto e me beijo. Mas aí eu me sumo, eu me fujo, eu vou embora daqui. E fico assim, a minha procura, a ver navios, ao leu. Olhando pro ontem, visitando aquela sombra, e reconhecendo o próximo vulto adiante. Sou eu! Digo pra mim. Corra, que me achas! E então me pulo, me levo, lá vamos nós outra vez. Felizes e radiantes, de mãos dadas, que maravilha. Basta um vento mais forte e meus dedos desenlaçam dos meus. Saio flutuando que nem um papel velho e bobo. Tento me seguir, mas tenho fotofobia. Não me apresso mais. Me acharei em algum banco, à minha espera novamente. E vamos em frente, sozinha ou comigo, que é pra lá que a gente sempre vai. Eu prefiro mesmo estar em minha companhia.

o olhinho dele é tão miúdo que não me deixa ver o que se passa por dentro. eu to de olho grande nesse olho tão pequeno. minha boca é pequena mas eu quero engolir a boca enorme dele. a gente fala em outra lingua, mas eu quero minha lingua na dele. a gente respira outros ares, mas eu quero ele respirando no meu nariz. ele é o que eu vejo em poeira que brilha. e pra piorar, ele não se materializa pra mim e eu insisto em tocar um holograma.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
ô criança no ventre, tua sorte é nascer por dentro, senão eu te arrancava de lá com os dentes. ô criança burra, foge enquanto é tempo. dá teu jeito e vai-te embora. saia pela culatra, saia pela boca, mas se esqueça de nascer. eu te conto o que veria, e imaginar pra quem nunca viu, basta. eu te falo o que ouviria, e nunca mais saberá o barulho do som. eu te explico o vento, que você vai até aprender a ventar. mas ô criancinha... vire pó ou evapore por aí. evapore, porra! fica no teu canto quente e se finja de fingimento. cá fora nesse canto febril já tem criança demais, e o que é demais parece mal. já tem criança sobrando demais. criança repetida demais. criança que não vale a pena. criança que se soubesse como, evaporaria. e quando você evaporar, vem me dizer como faz. ô meu deus...
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