quarta-feira, 27 de julho de 2011



do corpo em cores e versos






e agora eu converso com meus cabelos brancos. eles são novos mas de tudo sabem. e eu que não sabia.. estou sabendo em branco.



se me rasgar ao meio, de dentro de mim vai pular um pintinho amarelinho meio cambaleante e se esconder atrás das suas pernas. aí sim a gente senta e conversa.



eu não solto meu cabelo e amarro minhas idéias. parece que não tem ligação, mas saiba que tem. eu bem sei disso agora, de cabelo solto. até os brancos eu deixei voar. voa aí, passarinho.



eu risco minhas pernas risco risco risco riiiiisco e rabisco, eu nao sei bem porque, mas isso me dá um prazer de descoberta. Um prazer de exploração, infantil. todas as minhas pernas cobertas de tinta e eu por baixo de tudo isso.



e é roendo minhas unhas vermelhas que destroço conclusões enroladas armadas nos fios dos meus cabelos presos e amarradas inertes nas pernas pintadas. e é roendo essas unhas que solto os cabelos brancos e os passarinhos voam livremente.



é o corpo todo junto que nada faz ou tudo anda tudo corre e percorre o próprio corpo meu.



terça-feira, 7 de junho de 2011




O vento vem derrubando a rua arrastando sacos remexendo lixo assustando gente o vento vem sacudindo as saias levantando cabelos arregalando olhos apertando abraços o vento vem apressando pernas alargando passos entupindo ruas espatifando copos derramando pressa mas é só o vento o vento apressado fechando janelas levantando poeira distribuindo papéis açoitando corpos zumbindo nos ouvidos correndo nas calçadas mas é só o vento é velho resmungando querendo passar passar pra onde se é só o vento se é o senhor do movimento meu senhor eu não lamento me leva vento

segunda-feira, 6 de junho de 2011




Só vim saudar a saudade dos tempos coloridos e fumegantes com cheiro de doce.


O caracol se enrolou e aceitou seu próprio rolo. Fez da sua vida um enrolão e da sua casa uma enrolada. Fez seu corpinho enroladinho e seu rabinho espichadinho. O caracol é apegado, parece tranquilo porque anda devagar, mas anda devagar porque é apegado. Se apegou no seu rololô que não soltou mais. Não quis desembolar e leva seu rocambole pra tudo que é canto. O caracolzinho, eu gosto tanto dele. Pra mim é belo, que nem a borboleta, só que de asas enroladinhas.

domingo, 8 de maio de 2011



me cansei das pompas e me cansei das galas. nunca gostei de paetê e nunca gostei de plumas. eu gosto da palavra seca, da emoção limpa. sem rodeios e floreios, a leveza é natural e o que é leve me eleva. é tão bonito daqui, vem cá ver. aproveita e senta no chão, eu gosto do que é bom.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

a certeza vem de dentro pra fora, não de fora pra dentro. quem fala com muita propriedade tem alguma coisa a esconder. eu não confio não, joão.
a certeza vem de dentro pra fora, não de fora pra dentro. quem fala com muita propriedade tem alguma coisa a esconder. eu não confio não, joão.